anticigarro

O Tabagismo no Brasil

Impacto do aumento de impostos sobre os produtos derivados do tabaco nas mortes e doenças atribuíveis no Brasil

O tabagismo é a principal causa evitável de morte e doença em todo o mundo. A cada ano, mais de cinco milhões de mortes no mundo são atribuíveis ao consumo de produtos de tabaco e espera-se que em 2025 o número anual de mortes chegue a 10 milhões. No Brasil, estima-se que 4 a 17 % das mulheres e 10 a 24 % dos homens fumam. As informações aqui exibidas são parte de um estudo com o qual colaboraram mais de 40 pesquisadores e formuladores de políticas de saúde de universidades, centros de pesquisa e instituições públicas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Os resultados foram obtidos através de um modelo matemático desenvolvido pelo grupo de pesquisa que permite estimar as probabilidades que as pessoas têm de ficarem doentes ou morrerem por causa de cada uma das principais doenças associadas ao tabagismo.

No Brasil, o tabagismo provoca uma quantidade significativa de mortes, doenças e custos de saúde. O maior peso é dado por câncer, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O impacto do tabagismo sobre a mortalidade e a qualidade de vida é diretamente responsável pela perda, a cada ano, de 4.203.389 anos de vida e é responsável por 12,6 % de todas as mortes que ocorrem no país em pessoas maiores de 35 anos. Isto representa 156.216 mortes por ano que poderiam ser evitadas.

O tabagismo também gera custos médicos diretos por ano de R$ 39,4 bilhões, o equivalente a 8 % de todo o gasto com saúde, e R$ 17,5 bilhões em custos indiretos decorrentes da perda de produtividade devida à morte prematura e incapacidade. Isto representa no Brasil perdas anuais de R$ 56,9 bilhões, 1 % de todo o produto interno bruto (PIB) do país.

A arrecadação tributária da venda de cigarros é de cerca de R$ 13 bilhões ao ano, valor que chega a apenas cobrir 23 % das perdas causadas pelo tabagismo. O aumento do preço dos cigarros através dos impostos é reconhecido mundialmente como a medida mais custo-efetiva para reduzir seu consumo, principalmente quando políticas fiscais sustentadas são mantidas ao longo do tempo.

Como pode ser observado nos resultados deste estudo, com o aumento do preço dos cigarros no Brasil grandes benefícios poderiam ser obtidos para toda a população. Um aumento de apenas 50% poderia prevenir 136.482 mortes, 507.451 doenças cardíacas, 64.383 novos cânceres e eliminar 100.365 acidentes vasculares cerebrais (AVC) em dez anos. Além disso, poderia-se gerar recursos de R$ 97,9 bilhões, valor derivado da economia nos gastos em saúde, das perdas de produtividade evitadas e do aumento da arrecadação fiscal.

A equipe de profissionais que realizou esta pesquisa espera que os resultados deste trabalho ajudem a aumentar a conscientização sobre o impacto sanitário e econômico do tabagismo, e sejam uma ferramenta útil para que os governos e os sistemas de saúde possam definir medidas mais eficazes e eficientes na luta contra o tabagismo.

Este projeto é uma extensão do estudo anterior sobre a carga de doença relacionada ao tabagismo no Brasil. Financiamento: Este trabalho foi realizado com o apoio financeiro do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio de acordo de cooperação técnica INCA / OPAS; e do Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento, Ottawa, Canadá – IDRC.

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